
Clarabeauty perguntou e eu respondo. Você sabe o que foi?

Cresci subindo em pé de pau, colhendo fruta madura e me deliciando com as brincadeiras nos quintais. Quando era bem pequena, vivíamos num sítio de cajueiros. Depois dos quatro anos fui morar numa casa que mal cabia papai e mamãe mais a penca de meninos. Mas tinha um quintal! Isso sim era importante. Não tínhamos muitas árvores frutiferas, mas lembro bem das bananeiras lá no fundão, dos coqueiros (seis ao todo) e da goiabeira, que dava frutos enormes. Tudo plantado depois da nossa chegada."Amor, então,
também acaba?
Não, que eu saiba.
O que eu sei
é que se transforma
numa matéria-prima
que a vida se encarrega
de transformar em raiva.
Ou em rima."

"Quando a mulher tem muito charme, é muito agradável e faz da vida do homem uma delícia, estejamos certos de que sua feminilidade é muito relativa. A mulher verdadeiramente mulher, profundamente mulher, e só mulher, sem nenhum traço de homossexualidade, é, tem de ser, nasceu assim e vai até a morte assim, chata."
(Trecho de entrevista concedida à jornalista Christina Autran, para o livro "Por que a mulher gosta de apanhar" - Nova Fronteira)
... reforma no meu peito!
pedreiros, pintores, raspadores de mágoas
aproximem-se!
rolos, rolas, tinta, tijolo
comecem a obra!
por favor, mestre de horas
tempo, meu fiel carpinteiro
comece você primeiro passando verniz nos móveis
e vamos tudo de novo do novo começo.
(Elisa Lucinda)


Professores também são. Cantores, vendedores e políticos idem. Fazemos parte de um grupo da população que trabalha com a voz. Sem ela, necas de pitibiriba. Ou pelo menos as dificuldades seriam bem maiores. Mas a verdade é que não tenho tratado meu instrumento de trabalho assim com o devido respeito. Prova é que hoje, Dia Mundial da Voz, estou... sem voz.

"Sim, homem é frouxo, só usa vírgula, no máximo um ponto e virgula; jamais um ponto final.
Sim, o amor acaba, como sentenciou a mais bela das crônicas de Paulo Mendes Campos: “Numa esquina, por exemplo, num domingo de lua nova, depois de teatro e silêncio; acaba em cafés engordurados, diferentes dos parques de ouro onde começou a pulsar...”
Acaba, mas só as mulheres têm a coragem de pingar o escandaloso ponto poroso da caneta-tinteiro do amor. E pronto. Às vezes com três exclamações, como nas manchetes sangrentas de antigamente, jornal da morte, SANGUE, SANGUE, SANGUE!!!
Sem reticências...
Mesmo, em algumas ocasiões, contra a vontade. Sábias, sabem que não faz sentido a prorrogação, os pênaltis, deixar o destino decidir na morte súbita.
O homem até cria motivos a mais para que a mulher diga basta, chega, é o fim!!!
O macho pode até sair para comprar cigarro na esquina e nunca mais voltar. E sair por ai dando baforadas aflitas no king-size do abandono, no continental sem filtro da covardia e do desamor.
Mulher se acaba, mas diz na lata, sem metáforas.
Melhor mesmo para os dois lados, é que haja o maior barraco. Um quebra-quebra miserável, celular contra a parede, controle remoto no teto, óculos na maré, acusações mútuas, o diabo-a-quatro.
O amor, se é amor, não se acaba de forma civilizada.
Nem aqui nem Suécia.
Se ama de verdade, nem o mais frio dos esquimós consegue escrever na neve o “the end” sem pelo menos uma discussão que amplie o aquecimento do planeta.
Fim de amor sem baixarias é o atestado, com reconhecimento de firma e carimbo do cartório, de que o amor ali não mais sentava praça.
O mais frio, o mais cool dos ingleses estrebucha e fura o disco dos Smiths, I Am Human, sim, demasiadamente humano esse barraco sem fim, amém.
O que não pode é sair por ai assobiando, camisa aberta, relax, chutando as tampinhas da indiferença para dentro dos bueiros das calçadas e do tempo.
O teste do presente das Rainhas foi hoje messs. Rapaz, é bom demais sair do velho à Gomes de Sá e do bacalhau à Brás de sempre! Mas, por outro lado, é uma coisa ver que ainda não acertei no ponto exato do dessalgar o bacalhau :("Meu bem
Este teu corpo parece
Do jeito que ele me aquece
Um amendoim torradinho"
(Henrique Beltrão)
Revirar a estante de CDs da casa de uma amiga pode resultar em agradáveis surpresas, como encontrar um exemplar do CD
Seis intérpretes: Ayla Maria, Guilherme Neto, Marilena Homero, Otávio Santiago, Salete Dias e Terezinha Silveira se revesam nas 12 faixas sob a direção musical do maestro Adelson Viana e de Leonardo Rocha. A qualidade da gravação é primorosa, músicos que são um luxo só, as vozes fazem juz ao glamour experimentado em tempos áureos dos programas de auditório da PRE-9 ou Ceará Rádio Clube.
E tem mais: onde eu estava que nunquinha tinha ouvido os versos de "Amendoim torradinho"? Marilena Homero dá uma grandeza às frases aparentemente bobas como poucas conseguiriam. Ayla, olha a intimidade! continua sendo hors concours. Afinadíssima, mostra o que é ter ritmo, traçando com levesa absoluta a letra de Zé Maria e Avaneide, em "O que vier eu traço". E segui a ouvir, certa de que nossos sentidos se entrelaçam e se combinam para aumentar nosso prazer. Do contrário, aquele sorriso não estaria comigo do começo ao fim da audição.


