Maurício Mattar e o seu “Meu Primeiro Disco”
Às vezes a crítica pode ser cruel. Some-se a isso a descrença que povoa nossos
preconceitos. Talvez seja essa situação que o “global” Maurício Mattar está passando
e passará. Depois de 5 discos gravados (4 pela Sony) dentro da linha
POP descartável
ou seria lamentável?), o cara emplaca um
preponderantemente bossanovístico, dessa vez
(e pela segunda vez) pela Roadranner, uma gravadora meio desconhecida, mas que
atualmente conta com nomes fortes, entre eles o da banda progressiva inglesa YES.
O rapaz tem enfrentado muitas “Barras Pesadas” (tão fortes como as apresentadas
pelo Nonato Albuquerque), como vício e desintoxicação, saída e volta ao “Táxi” da Angélica.
Claro que ninguém pode acreditar que venha algum talento de quem infectou as FM’s de
tanta baboseira, mas eu me admirei com o que ouvi. Depois que o cara se apresentou no
“Boca”, minha baby me emprestou o disco pra eu ouvir e comentar. Cara gostei! Pode!?!?
O disco parece meio caseiro. Perde um pouco em qualidade, mas acredito que ele não tenha
tido um grande orçamento. Deve ser difícil romper com uma multinacional como a SONY MUSIC.
Ainda no “Na Boca do Povo” ele falou que havia muita imposição da multinacional no repertório.
Caetano Velloso, no texto de introdução, conta um pouco da história do “garoto do Rio” que
tocava violão e surfava com Moreno Velloso (seu filho, que também toca no disco). Diz que agora
Maurício Mattar está realmente fazendo seu primeiro album. Do jeito que ele queria. Isso é
fácil de perceber. Apesar da pouca experiência no estilo, o trabalho tem alma.
O mais importante é que o disco é completamente diferente e que, inclusive, quebra um pouco
meu preconceito, em relação a ator bonitinho tentando virar cantor. A voz está meio Toquinho,
só que de melhor sonoridade (os dois cantam juntos).
O cara conseguiu bons parceiros (Geraldo Azevedo, Toquinho, Milton entre outros) e canta
composições próprias além de músiocas do Toquinho e de Lupcínio Rodrigues.
Enfim, um disco bom de se ouvir com uma dose de Whisky, algumas castanhas de Cascavel,
uma rede armada na varanda e cafunés.